Apesar dos seus centros históricos fantásticos, bons acessos e excelente relação custo-benefício, a região do Báltico continua ainda a ser uma das menos exploradas por turistas em toda a Europa. Com a exceção da Cidade Velha de Tallinn (essa sim bastante turística), a esmagadora maioria das restantes cidades – até as capitais vizinhas – continua a ser um gigantesco ponto de interrogação para muitos. Mas a mudança está a caminho, e a cada ano que passa os países bálticos estão a aproximar-se do seu verdadeiro potencial. Se és um dos felizardos prestes a fazer as malas para visitar Lituânia, Letónia e Estónia, então poderá sem dúvida valer a pena dar uma vista de olhos no nosso roteiro de 1 semana pela região!

Uma vez que nunca poderíamos recomendar um plano com o qual não nos comprometêssemos, este guia de viagem, que abrange as capitais das 3 nações, é uma réplica bastante fiel do roteiro que desenhamos para a nossa própria viagem pelo Báltico no passado mês de Outubro, antes de seguirmos para norte em direção a Helsínquia.

 

ROTEIRO DE VIAGEM PELOS PAÍSES BÁLTICOS

  • Dia 1 – Voo
  • Vilnius, Lituânia – 2 dias
  • Riga, Letónia – 2 dias
  • Tallinn, Estónia – 2 dias

Como podes ver, o nosso plano envolve algumas viagens de terra em terra. Felizmente, as principais cidades dos países Bálticos estão bem ligadas no que a transportes diz respeito, sendo que podes recorrer tanto a comboios como a autocarros para transitar entre Vilnius, Riga e Tallinn. No nosso caso, fomos à boleia da Lux Express e não podíamos ficar mais satisfeitos! Os autocarros são modernos e limpos, têm wi-fi grátis (sinal movido a carvão, mas melhor que nada) e – mais importante de tudo – os bilhetes são super-baratos, especialmente se os reservares com antecedência.

 

DIA 1 – VOO PARA VILNIUS

Bem, aqui está uma das desvantagens de viver no nosso pedacinho de terra à beira-mar plantado. A não ser que estejas de visita às principais cidades europeias, tudo o que ficar a mais de 2h30 de distância implicar perder um dia só no voo. Assim sendo, não reserves este dia para mais nada. Aproveita para encontrares o teu hotel com calma e fazer umas compritas no supermercado mais próximo.

DO AEROPORTO DE VILNIUS PARA O CENTRO

Chegar ao centro após aterrar em Vilnius é bastante simples. O aeroporto está ligado diretamente a uma paragem de comboio servida por uma linha que te leva até ao centro em menos de 10 minutos, com os bilhetes a custarem uns irrisórios 0,70€.

Contudo, uma vez que chegamos à noite e passam muito poucos comboios a partir das 20h00, optámos por apanhar um autocarro. Não te preocupes se não souberes exatamente que autocarro vai para o centro, porque nós também não sabíamos! À saída do terminal, vais ver muitos veículos estacionados nas paragens, por isso é só perguntares aos motoristas se vão para a Cidade Velha. Cada bilhete tem o custo de 1€.

 

DIA 2 – VILNIUS – A CAPITAL LITUANA VISTA DE CIMA

Agora sim, vamos ao que interessa! Calça as tuas melhores sapatilhas de trekking (ténis para os sulistas aqui do blog) e prepara-te para umas boas caminhadas colina acima, porque os dois miradouros mais icónicos da cidade estão à tua espera. Esta é também uma excelente maneira de ganhar noção da enorme dimensão da Cidade Velha de Vilnius, considerada a maior dos países Bálticos. Fica à vontade para explorares a cidade ao teu próprio ritmo, mas se quiseres uma introdução em condições feita por alguém que conhece a cidade como a palma das suas mãos, então deves considerar reservar um Walking Tour da área.

 

AVENIDA GEDIMINAS

Não há melhor forma de estabelecer primeiro contacto com uma nova cidade do que passear pela sua principal avenida, não é verdade? Começando no Parlamento da Lituânia e estendendo-se até à Catedral de Vilnius, a Avenida Gediminas é uma das ruas mais bonitas e movimentadas da capital, com praticamente todos os edifícios que flanqueiam a terem aquele toque clássico. Para além disso, ao longo da avenida irás encontrar outras atrações bastante conhecidas, como o Museu do KGB, a Praça Lukiškės ou a estranhamente creepy Escultura das Três Musas.

 

CATEDRAL DE VILNIUS

Tal como os seus irmãos/inimigos Polacos (ainda se estão e decidir), o povo lituano é bastante fervoroso no que toca ao seu Catolicismo. Ao passo que as igrejas vão ficando cada vez mais vazias na maioria dos países europeus, essa tendência não parece chegar à Lituânia. Assim sendo, e tratando-se da principal igreja da cidade, a belíssima Catedral de Vilnius enche-se todos os Domingos de manhã para a hora da missa, abrindo-se uma excelente oportunidade para veres o modo de vida local!

 

PALÁCIO DO GRÃO-DUCADO DA LITUÂNIA

Situado mesmo por detrás da igreja, e juntamente com a Torre Sineira, o Palácio do Grão-Ducado da Lituânia é o elemento que falta da chamada Praça da Catedral. Embora a versão atual seja uma reconstrução do original do século XV – após a sua destruição às mãos da invasão Russa – este palácio é um lugar histórico uma vez que costumava ser a casa dos duques locais e futuros Reis da Polónia. As últimas remodelações terminaram em Julho de 2018, estando agora todas as alas do palácio abertas a visitantes, por isso a tua visita não podia vir em melhor altura! Se quiseres entrar no palácio e visitá-lo ao teu próprio ritmo, podes comprar ingressos nas bilheteiras locais por apenas 3€.

 

TORRE GEDIMINAS

E chega a altura da primeira subida! Por esta altura já terás seguramente reparado na torre laranja que espreita do topo de uma colina no centro de Vilnius. Chamada Torre Gediminas em honra do fundador da cidade que ali construiu um castelo, esta estrutura foi o que restou da enorme fortificação original que costumava guardar a cidade, sendo hoje em dia um dos principais miradouros da cidade e proporcionando vistas fantásticas sobre a Cidade Velha.

 

MONTE DA TRÊS CRUZES

Agora que já puseste definitivamente as pernas a trabalhar, aproveita o lanço e completa já a outra subida do dia (é a última, prometo)! Embora não seja tão popular como a colina da Torre Gediminas, tenho que dizer que, pelo menos para mim, a vista do Monte das Três Cruzes é bem melhor. Passas a ter uma perspetiva mais abrangente do centro histórico de Vilnius, com todas as suas torres e campanários, e ainda consegues uma foto em que a própria Torre Gediminas faça parte do panorama!

 

IGREJA DE SANTA ANA

Após a descida, segue-se uma visita aos Jardins Bernardine, um parque à beira-rio onde as famílias locais levam os seus pequeninos nas manhãs de fim-de-semana. Contudo, a verdadeira atração fica mesmo ao lado da entrada principal dos jardins, onde irás encontrar a Igreja de Santa Ana, uma das mais bonitas e hospitaleiras de Vilnius.

 

IGREJA DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO

Igrejas, igrejas e mais igrejas. São tantas e tão diferentes, que quase dava para fazer uma lista de sítios a visitar em Vilnius só com locais de culto. Posto isto, provavelmente nenhuma outra igreja nos países Bálticos é tão bonita como a Igreja de Pedro e Paulo. Sim, é um edifício agradável por fora, mas assim que ponhas os olhos nos seus interiores torna-se impossível não ficar vidrado. São mais de 2000 figuras e estátuas esculpidas ao longo de todas as paredes e tetos brancos, numa visão que te vai deixar de boca aberta.

 

DIA 3 – VILNIUS – UM PASSEIO ATÉ TRAKAI

Agora que já visitaste as atrações mais populares de Vilnius, é hora de te perderes no seu imenso centro histórico. Desfruta da tua última manhã na cidade explorando as ruas e becos da Cidade Velha, e aproveitando para riscar os últimos sítios da tua lista de paragens, já que a tarde te reserva uma viagem de autocarro até Trakai, onde podes visitar o castelo local e vivenciar um lado diferente do país.

 

RUA PILIES

Com uma pequena amostra de todas as coisas que tornam a Cidade Velha um sítio tão agradável, não é surpreendente que a Pilies Gatve seja considerada a rua mais popular de todo o centro histórico de Vilnius. Repleta de restaurantes, bancas de souvenirs e fachadas coloridas, esta rua pedestre simboliza o coração e espírito da cidade, e é um dos locais mais animados e movimentados que podes visitar na capital lituana.

 

UNIVERSIDADE DE VILNIUS

Quem diria que este viria a ser um dos meus locais favoritos! Criada em 1579, a reconhecida Universidade de Vilnius é o tipo de sítio que me faz arrepender de nunca ter ido de Erasmus. Por detrás da sua animada comunidade estudantil e edifício digno de um museu, esta instituição esconde alguns dos segredos mais bem guardados da cidade e que prometem fazer as delícias de turistas e visitantes. Perde-te enquanto passeias pelos seus inúmeros terraços interiores, dá uma vista de olhos nos inacreditáveis tetos da Livraria Littera e termina o teu tour com uma visita ao hall da Faculdade da Filologia, uma pequena sala coberta de pinturas bizarras com lendas dos países Bálticos e que mais parece o quarto de um serial killer (mas um com bom gosto atenção!). A entrada na Universidade custa 1,50€.

 

UZUPIS

Mas porque é que estas comunidades pseudo-anárquicas têm que estar sempre cheias de pessoal com ar manhoso?! Quanto mais visito este tipo de repúblicas auto-proclamadas, como Metelkova na Eslovénia ou Christiania da Dinamarca, mais sinto que o seu propósito e intenção iniciais se perderam em prol do lucro. Para além disso, um gajo ainda pode apoiar a esquerda progressista e mesmo assim tomar banho, certo? Opiniões à parte, Uzupis é um local extremamente interessante de se visitar. Com o seu leque muito próprio de regras e pontos de interesse incomuns, esta República independentemente deve ser um ponto de paragem em qualquer roteiro dos países Bálticos!

 

FORMER VILNIUS JEWISH GHETTOS

É no mínimo irónico que num quarteirão que simboliza a segregação e representa um dos períodos mais vergonhosos da história da humanidade, floresça agora a área mais adorável de uma cidade. Entre os anos de 1941 e 1943, estas duas áreas adjacentes – na altura divididas entre o Grande Gueto e o Pequeno Gueto – foram a casa de 40.000 judeus, e a última morada de muitos deles antes de serem brutalmente assassinados ou enviados para os campos de concentração mais próximos pelas autoridades nazis. Se as paredes do Gueto falassem, contariam relatos trágicos de morte, perda e desespero, mas também histórias inspiradoras de resistência, união e resiliência. Infelizmente, as paredes do Gueto não falam, e muito poucos sobreviveram para contar as suas histórias. Contudo, os descendentes dos que testemunharam estas atrocidades têm um papel fundamental na garantia de que a memória coletiva de Vilnius não esmorece, e se quiseres aprender com eles sobre este lado da cidade, recomendamos que reserves um Walking Tour do Gueto Judaico.

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PORTA DA AURORA

Antes de partires para Trakai, vais dizer adeus (ou até já!) à Cidade Velha de Vilnius atravessando a única porta da cidade que sobreviveu ao teste do tempo. Uma lembrança das antigas fortificações que protegiam a cidade de invasores estrangeiros, a Porta da Aurora acabou por escapar quase por milagre ao desmantelamento da muralha no final do século XVIII, servindo hoje em dia como uma espécie de monumento de tributo a tempos antigos. Já agora, repararam que aquele emblema parece mesmo o símbolo dos Illuminati… rápido, chamem o Dan Brown!

 

CASTELO DE TRAKAI

Isto sim acabou por ser uma bela surpresa! Sinceramente, nem tínhamos grandes expectativas em relação ao Castelo de Trakai – apenas mais um castelo bonito para a lista – mas nem imaginámos o quão enganados estávamos. Para começar, a própria localização é incrível, com o castelo a ser construído numa pequena ilha sobre o pitoresco Lago Galve e ligado à margem principal através de uma ponte de madeira. Para além disso, e uma vez que visitámos Trakai no Outuno, o verde estava lentamente a dar lugar ao amarelo e laranja, e toda a área estava cheia de árvores semi-despidas. Há um contraste enorme entre a vivacidade da capital Vilnius e a tranquilidade de Trakai, mas ter a oportunidade de vivenciar as duas atmosferas no mesmo dia é bastante interessante. Quanto ao castelo propriamente dito, está aberto a todos os visitantes, sendo apenas necessário bilhete se quiseres visitar o museu lá alojado.

COMO VISITAR O CASTELO DE TRAKAI A PARTIR DE VILNIUS

Estando as duas cidades separadas por apenas 30km, transitar entre Trakai e Vilnius é bastante simples. Embora também possas fazer a viagem de comboio, nós optamos por utilizar o autocarro (que mais parecia uma van) uma vez que a estação de autocarros é um bocadinho mais perto do castelo do que a de caminhos de ferro. Só tens que ir até à Estação de Autocarros de Vilnius e pedir um bilhete para Trakai – tão simples quanto isto! O funcionário da estação irá depois dar-te os teus bilhetes e indicar-te qual a plataforma a que te deves dirigir, bem como o horário de partida. Se quiseres planear tudo com antecedência, pode ver horários e até comprar bilhetes online (dependendo da empresa de transportes) em Autobusubilietai.lt

Cada bilhete de ida custa 2€ e a viagem tem a duração de 30 a 40 minutos, mas deves ter em conta que a estação mais próxima fica a uns 2,5km do castelo e que terás que fazer o resto do caminho a pé. Se esta parte já não te agrada tanto ou se simplesmente preferes uma experiência mais calma e planeada, então pode valer a pena dar uma vista de olhos neste Tour de Meio Dia até Trakai!!

 

DIA 4 – RIGA – CHEGAR E EXPLORAR A CIDADE VELHA

Embora acordes em Vilnius, o 4º dia do teu itinerário pelos países Bálticos vai ser dedicado a Riga. De modo a aproveitares a tarde ao máximo, recomendo que reserves hotel em plena Cidade Velha – os preços continuam a ser acessíveis e vais poder poupar bastante tempo.

Contudo, caso queiras ir diretamente ao assunto e assegurar-te de que descobres o melhor de Riga num calendário apertado, então é melhor reservares um Tour Privado de Riga, ou, se as pernas não quiserem colaborar, uma Viagem Hop-On Hop-Off de Autocarro pela cidade.

 

AUTOCARRO DE VILNIUS PARA RIGA

Uma vez que a viagem entre as duas cidades tem a duração de cerca de 4h, o melhor é apanhares o autocarro o mais cedo possível de forma a maximizar a tua tarde na capital letã. No nosso caso, apanhamos o autocarro em Vilnius às 10h00 e chegamos a Riga às 14h00 (podíamos ter tentado hum horário mais cedo, mas a 5€/bilhete não podíamos dizer que não). Isto deixou-nos com cerca de 3h de sol para explorar a Cidade Velha e ter um primeiro contacto com o centro.

 

MERCADO CENTRAL DE RIGA

O Mercado Central, situado mesmo ao lado da estação de autocarros, vai ser o único local fora da Cidade Velha que irás visitar neste dia. Formado por um mercado coberto e um bazar exterior, este é na realidade o maior mercado em toda a Europa, algo que desconhecia por completo antes de o visitar! Mas acima de tudo, o Mercado Central de Riga é famoso devido ao uso original das suas instalações. Pensa positivo – não é todos os dias que podes fazer compras dentro de 5 dos únicos 9 hangares de zepelins que restam em todo o mundo!

 

IGREJA DE SÃO PEDRO

Agora que estás finalmente a postos para explorar a Cidade Velha que não nos cansamos de mencionar, porque não começar com aquela que é provavelmente a sua atração mais conhecida? Quando em Riga, é simplesmente impossível perder a Igreja de São Pedro. Com a sua enorme torre a dominar os céus do centro histórico, apanhar o elevador até ao seu topo é uma atividade obrigatória para desfrutares das melhores vistas 360º em toda a Riga! Os bilhetes para visitar a igreja e a torre custam 9€, mas a panorâmica vale cada euro!

 

Choque de estilos na principal praça de Riga | Clash of styles in Riga's main square Estátua na Casa dos Blackheads | Statue in front of the House of the Blackheads

PRAÇA DA CÂMARA MUNICIPAL DE RIGA

Não digam a ninguém, mas a principal praça de Riga é uma espécie de coisa esquisita… mas com estilo! Completamente dizimada durante a Segunda Guerra Mundial, as autoridades locais decidiram reconstruir elementos icónicos da praça de diferentes épocas e estilos, adicionando ainda novos pontos de interesse a esta mistura pouco convencional. O resultado final? Uma praça com edifícios barrocos (Câmara Municipal), estátuas de pedra, casas comerciais fantasistas (Casa dos Cabeças Negras) e estruturas soviéticas (Museu da Ocupação da Letónia), com uns pozinhos de perlimpimpim de arquitetura moderna. A parte mais interessante? A coisa até acaba por funcionar!

 

A cúpula da Catedral de Riga | Riga Cathedral's huge dom

CATEDRAL DE RIGA

A partir da praça anterior, passa pela pitoresca Rua Jauniela e segue caminho até à Catedral de Riga. Embora bastante simples por dentro, a realidade é que esta igreja – a maior nos países Bálticos – tem uma dimensão absolutamente monstruosa, ocupando uma enorme praça aberta em plena Cidade Velha. Tal como a torre da Igreja de São Pedro, também a desta catedral é bem visível ao longe, representando um dos pontos mais reconhecíveis de Riga.

 

Luzes de rua ao final da tarde | Dim street lights in the late afternoon

PRAÇA LIVU

Com os seus adoráveis edifícios coloridos e jardins com camas de flores, a subestimada Praça Livu quase parece um set de um filme da Disney. Talvez por isso, este acabou por se tornar um dos sítios de eleição da Daniela (ok, e talvez um bocadinho meu também) em Riga. Quando olhares em redor, não te esqueças de procurar a famosa Casa do Gato – é só seguir as câmaras dos telemóveis das senhoras asiáticas!

 

PORTÃO SUECO E A ANTIGA MURALHA

Finalmente, termina o teu dia com uma visita à maior secção que resta das antigas muralhas da cidade. Embora a esmagadora maioria da muralha tenha sido desmantelada e destruída, esta curta porção – renovada no período de domínio soviético – permanece como tributo e atração. Uma vez lá, não te esqueças também de atravessar o Portão Sueco!

 

DIA 5 – RIGA – ART NOUVEAU E OUTRAS MARAVILHAS

Parece que ainda agora chegaste e já é o teu último dia em Riga! Conhecida que está a Cidade Velha, é chegada a hora de explorar o super-famoso Distrito Art Nouveau de Riga, descobrindo parques, monumentos e catedrais pelo caminho. Aproveita para perguntar ao staff do hotel onde ficaste (ou ao dono do Air BnB) se não têm nenhum tipo de sala ou quarto de arrumações onde possas deixar as tuas malas quando fizeres o check-out. Assim não precisas de carregar tudo ao longo do dia!

 

ÓPERA NACIONAL DA LETÓNIA

Construída em 1863, a Ópera Nacional da Letónia é um dos poucos edifícios clássicos da cidade que nunca foram destruídos (sabes que os teus antepassados tiveram uma vida um bocadinho “difícil” quando isto é motivo de reconhecimento). Apesar da beleza do edifício, a sua envolvente foi o que mais me fascinou. Inserida no Parque Bastejkalna, a ópera partilha o mesmo espaço com um jardins pitorescos, estátuas de figuras históricas, e – impossível não notar – o Canal da Cidade de Riga (Pilsētas Kanāls).

 

MONUMENTO DA LIBERDADE

Todos os estados do Báltico têm uma história… “complicada” (chamemos-lhe assim), mas a Letónia destaca-se como o caso mais difícil do grupo. As relações tensas com os antigos impérios vizinhos levaram a uma longa história de invasões e opressão, ao passo que a tentativa de russificação da sociedade ao longo do século XX resultou num país a braços com uma enorme crise identitária. Embora não me queira debruçar muito sobre o lado político da história, basta uma pesquisa rápida para perceber exatamente o motivo pelo qual o Monumento da Liberdade de Riga é um símbolo tão importante para a população de etnia Letã a viver atualmente no país.

 

CATEDRAL DA NATIVIDADE

E por falar na forte influência russa, a tua próxima paragem será nada mais nada menos que a igreja Ortodoxa mais importante da Letónia! Com as suas imponentes cúpulas douradas, a Catedral da Natividade é uma igreja massiva cujas fotos não lhe fazem (de maneira alguma!) justiça. Aliás, posso assegurar-vos de que parece bem maior e mais impressionante ao vivo. A entrada é gratuita, mas infelizmente não nos deixaram tirar fotografias do seu interior, pelo que vais ter que acreditar na minha palavra quando te digo que esta é, muito provavelmente, a atração mais subestimada de Riga!

 

DISTRITO DE ART NOUVEAU

Não é que queira fazer o papel de desmancha-prazeres, mas tenho que dizer que fiquei um bocadinho desapontado com o Distrito Art Nouveau de Riga. Tendo em conta toda a sua fama, acho que estava à espera de uma coisa nunca antes vista, com ruas recheadas de edifícios incríveis e detalhes curiosos. Não me interpretes mal – vale bem a pena dar um passeio pelas ruas Albert ou Elizabeth e percorrer a Jugenda Stila Nami – mas a não ser que sejas arquiteto de profissão ou a estudar para te tornares um, provavelmente este também não será um local marcante para ti. Isso, ou então sou apenas um ignorante insensível incapaz de reconhecer o que é boa arquitetura… provavelmente!

 

MUSEU DA KGB DE RIGA

Já alguma vez sentiste que uma cidade não está cosmicamente interessada no teu dinheiro? Tenho que admitir que estava bastante ansioso por visitar as antigas instalações da KGB na cidade, inclusive as celas onde os prisioneiros letões eram mantidos em cativeiro pelas autoridades Soviéticas, mas acabamos por bater com o nariz na porta uma vez que o edifício estava fechado para obras de renovação. Ainda assim, decidimos fazer o caminho de volta para a Cidade Velha para visitarmos o Museu da Ocupação da Letónia. É verdade que o facto de já não haver prisão para visitar arrefeceu um pouco o meu entusiasmo, mas a história recente do país continua a ser bastante interessante por isso continuava animado com a perspetiva desta visita… até lá chegar. Mais uma vez, o edifício estava encerrado para trabalhos de renovação e a exibição principal tinha sido transferida para outro edifício fora do centro histórico. Não estava destinado!

 

AUTOCARRO DE RIGA PARA TALLINN

Chegado o final do dia, é hora de arrepiar caminho até à estação de Riga e apanhar um autocarro para Tallinn. Uma vez mais, recorremos à Lux Express (link já partilhado acima) para a viagem. Neste caso, o percurso foi um bocadinho mais caro, mas os 14€ que pagámos por cada bilhete continuam a parecer um bom negócio para uma viagem de cerca de 4h. Quando chegares a Tallinn, podes apanhar o tram (elétrico) até ao centro, ou fazer o caminho de 3km à moda antiga (a pé, leia-se). Se o esforço compensou os 4€ que poupamos nos bilhetes de tram? Isso já é outra história…

 

DIA – TALLINN – O CONTO DE FADAS POR DETRÁS DA MURALHA

Depois de recarregares baterias com uma noite bem dormida, vais acordar pronto/a a explorar aquela que é amplamente considerada a mais bonita de todas as cidades dos países Bálticos. Tallinn é uma cidade onde o boom de turismo já se deu há uns anos, por isso vais reparar que existem muitos mais visitantes estrangeiros aqui do que nas outras capitais da região, o que, muito sinceramente, nem é motivo de grande surpresa – Tallinn é simplesmente linda! Aliás, se quiseres mergulhar de cabeça no melhor que a cidade tem para oferecer, recomendamos que reserves uma Visita Guiada a Pé do centro histórico da capital Estónia. Só não te esqueças de carregar a máquina fotográfica na noite anterior.

 

MIRADOURO DE KOHTUOTSA

Quiçá o ponto mais popular de Tallinn, subir a escadaria da Colina de Toompea até ao Miradouro de Kohtuotsa é a maneira mais fácil de te apaixonares à primeira vista pela cidade. Com a pitoresca Cidade Velha estendida diante dos teus olhos, nem sequer te vais importar muito com as cotoveladas que vais levar nos queixais na tentativa de conseguires espaço para uma foto decente juntos da restante massa de turistas. Para uma experiência mais tranquila, tenta uma visita ao Miradouro Patkuli, situado a meia dúzia de passos de distância. As vistas também são incríveis e pelo menos tens espaço para respirar!

 

IGREJA DE SANTA MARIA

Embora muitos se esqueçam desta igreja a favor da colorida Catedral de Alexandre Nevsky ou da enorme Igreja de Santo Olavo, a Catedral de Santa Maria não pode deixar de ser um sítio a visitar! Para começar, é a igreja mais antiga de toda a cidade, o que, tendo em conta que Tallinn já existe há uns 800 anos, já é por si só assinalável. Para além disso, as suas paredes brancas e vazias estão cobertas com enormes brasões em ferro e bronze, o que dá um toque bastante diferente aos seus interiores. Os bilhetes para visitar esta catedral têm o custo de 2€.

 

CATEDRAL DE ALEXANDRE NEVSKY

Construída bem ao lado do Castelo de Toompea, esta catedral ortodoxa é provavelmente a atração mais espampanante de toda a Tallinn. Bem visível ao longe devido à sua localização elevada (no topo da Colina de Toompea), cúpulas em forma cebola e cores brilhantes, a Catedral de Alexandre Nevsky grita “Rússia” por todo o lado. Aliás, esse foi precisamente o problema durante muito tempo, uma vez que os Estónios olharam durante muito tempo para este monumento como um símbolo do controlo e opressão russos. Seja como for, os planos de demolição nunca chegaram a avançar, e tendo em conta a popularidade da igreja hoje em dia, duvido que alguma vez avancem!

 

Praça movimentada no centro de Tallinn | Busy square in the centre of Tallinn Fachadas coloridas na cidade velha de Tallinn | Colourful little houses in Tallinn's Old Town

PRAÇA DA CÂMARA MUNICIPAL DE TALLIN

Agora que desceste a colina, é hora de passar a pente fino a parte baixa da Cidade Velha. Mais vale começar em grande, certo? Inesperadamente escondida por entre ruas estreitas e passagens secretas, a Praça da Câmara Municipal é um dos meus pontos favoritos de Tallinn, rodeada de casas coloridas, bares, restaurantes e – como o próprio nome indica – a própria câmara municipal!

Por esta altura já é mais que provável que a tua barriga esteja a dar horas, por isso mais vale dares-lhe ouvidos e trincar alguma coisa. Se és um(a) aventureiro/a no que toca à cozinha, pode ser boa ideia confiar num local e participar numa Visita Guiada Gastronómica.

 

PASSAGEM DE SANTA CATARINA

Uma particularidade que irás notar (ou não) quando em Tallinn, é que algumas ruas parecem ser “secretas”. Desenhadas lado-a-lado com ruas importantes e praças abertas, estas vielas estreitas e modestas podem passar facilmente ao lado dos mais distraídos, até porque costumam ser esquecidas pela multidão. A Passagem de Santa Catarina é de longe a mais conhecidas destas ruelas. Preenchida com lojas de artesanato e lápides antigas pertencentes à Igreja de Santa Catarina, esta passagem representa o ponto alto da Tallinn medieval!

 

roteiro de viagem dos países Bálticos | One week Baltic travel itinerary

PORTÃO VIRU

Onde quer que haja uma muralha, tem que existir um portão! Considerada a entrada principal para o centro histórico da cidade, o Portão Viru é o mais bonito e enigmático dos portões ainda existentes ao longo da muralha de Tallinn. Embora parcialmente destruída, esta entrada permanece em relativamente boas condições, e continua a ser o cartão de boas-vindas perfeito para todos aqueles que desejam perder-se nas ruas mágicas da Cidade Velha.

 

Praça da República - onde foi proclamada a independência da Estónia | Freedom Square - where the independence of Estonia was first proclaimed

PRAÇA DA LIBERDADE

Pode não ser o sítio mais bonito ou encantador de Tallinn, mas dificilmente encontrarás outro com maior significado para o povo da Estónia. Aliás, todos os anos a praça e a sua Coluna da Vitória são invadidas pela população local nas comemorações de aniversário da libertação do país na Guerra da Independência da Estónia. Não te esqueças ainda de dar uma vista de olhos na Igreja de São João – aquele bonito edifício amarelo que vês nas fotos!

 

DIA 7 – TALLINN – A FACETA DESCONHECIDA DA CIDADE (E A HORA DO ADEUS)

Tenho que admitir que inicialmente pensava que 2 dias em Tallinn seria muito tempo. À parte da Cidade Velha, que mais poderia Tallinn oferecer? Estava enganado, há bem mais na capital Estónia para lá do seu incrível centro histórico. Aliás, o nosso segundo dia na cidade fez-me perceber que Tallinn pode não só ser um sítio mágico e adorável, mas também um local hip e alternativo – algo que nunca pensei lá encontrar!

Aproveita bem, porque este vai ser o teu último dia de roteiro pelos países Bálticos. Vais voar de regresso ainda hoje (SAD)!

 

MUSEU MARÍTIMO DE LENNUSADAM

Tivemos tanta sorte! Tínhamos lido excelentes críticas deste museu antes de sairmos de Portugal, mas o preço de admissão de 14€ havia-nos deixado um bocadinho de pé atrás. Contudo, e uma vez que estávamos alojados num pequeno apartamento na zona piscatória de Kalamaja (famosa pelas suas inúmeras casas de madeira), localizada a uns 5 minutos do museu, decidimos passar lá para dar uma vista de olhos antes de tomarmos uma decisão. Por coincidência, os navios-museu atracados nas docas estavam na realidade abertos a toda a gente! Foi assim que, e sem gastar um único euro, acabamos a explorar um quebra-gelo centenário utilizado em plena Primeira Guerra Mundial, com acesso livre e sem supervisão a todas as áreas, inclusive as salas de máquinas e os aposentos da tripulação. Surpreendente e incrível!

 

PALÁCIO DE KADRIORG

De seguida, apanhámos o elétrico rumo a Kadriorg para visitar o palácio e parque locais! Se estiveres na dúvida sobre se esta atração vale a pena o desvio, lembra-te que foi “encomendado” pelo Imperador Pedro o Grande, o mesmo maluco megalómano que mandou construir São Petersburgo de raiz – logo não pode falhar! Além disso, os seus jardins estão cheios de sítios que vão fazer maravilhas pelo teu feed do Instagram!

 

QUARTEIRÃO DE ROTERMANN

Embora relativamente perto da Cidade Velha, a tua última paragem em Tallinn não podia ser mais diferente do mundo idílico escondido dentro das muralhas. Considerado o centro cultural, artístico e alternativo da cidade, o Quarteirão de Rotermann representa a “Nova Tallinn”, uma metrópole moderna e atrevida, disposta a mostrar a evolução do país desde a sua independência. Se queres saber como vivem os locais em Tallinn e apreciar alguns bons exemplos de arquitetura moderna, este é um local a visitar!

 

VOO PARA CASA DESDE TALLINN

É chegada a hora de enfrentar a triste realidade – o regresso a casa. O teu périplo pelos países Bálticos pode estar no fim, mas pelo menos podes guardar memórias maravilhosas – e umas boas chapas – da tua aventura. Para além disso, esta região da Europa está agora mais aberta e acessível do que nunca, por isso regressar a qualquer uma destas cidades já não é a missão impossível de outrora!

Do Centro de Tallinn Para o Aeroporto

Localizado a apenas 4km do centro da cidade, chegar ao aeroporto de Tallinn é extremamente fácil! É só apanhar a linha nº 4 do tram no Portão Viru em direção a Lennujaam (Aeroporto in Estónio) e sair na última estação. A viagem tem a duração de 15 a 20 minutos e cada bilhete tem o custo de 2€.

Fácil, barato e sem porquês!


E é isto meus caros – espero que tenham gostado do nosso roteiro de 1 semana pelos Países Bálticos! Nós adoramos esta zona do globo e guardamos recordações maravilhosas do nosso tempo em Vilnius, Riga e Tallinn, antes de continuarmos a nossa aventura através do Golfo da Finlândia em direção a Helsínquia. Contudo, se 7 dias é tudo o que tenns, podes ter a certeza que este guia de viagem te vai ajudar a desfrutar do melhor que o Báltico tem para oferecer.

Já alguma vez visitaste os países Bálticos? Que outras atrações e cidades recomendas? Deixa a tua opinião nos comentários abaixo!

 

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