Há momentos em viagem que mudam as nossas vidas. Estamos a falar daquelas situações cliché em que subitamente o tempo pára e só existimos nós e uma sensação transcendente de alegria e gratidão perante a imensidão do MUNDO. Aquele pequeno vislumbre de que a fé na humanidade foi restaurada que acontece quando observamos a beleza de diferentes culturas, aprendemos as histórias impressionantes dos povos que superaram as adversidades, contemplamos formas únicas de arquitetura que nos fazem arrepiar, ou trocamos sorrisos com locais que não entendem a nossa língua. De todas as vezes, a viagem constrói e reconstrói quem somos e a forma como vemos o mundo.

Para nós os dois, o casamento nunca havia sido uma hipótese real. Ambos somos pessoas muito pragmáticas, com muita fé mas sem religião, e a ideia de gastar tempo e dinheiro com um dia de aparentes futilidades e mordomias parecia um desperdício das nossas capacidades. E foi então que uma viagem mudou novamente as nossas vidas.

 

A DECISÃO DE CASAR

Em Outubro de 2017 viajámos até Copenhaga para conhecer a capital da Dinamarca – esse país admirável que tanto aspirávamos visitar. Ao passear junto à Câmara Municipal da capital, deparámo-nos com a curiosa imagem de uma pequena família que ali se reunia para celebrar um casamento: uma imagem de um casamento quase intimista, delicado, tão simples que se tornou, para nós, um marco daquilo que o casamento poderia ser.

Foi ali naquele momento que compreendemos: não tem que ser um dia de ostentação ou tradições sem sentido. O casamento pode ter um significado muito mais profundo: uma partilha de sentimentos com as pessoas que mais amamos. Porque não? Porque não juntar as nossas pessoas preferidas e festejar o facto de nos termos encontrado? São 7 mil milhões de pessoas no planeta e nós sentimos que encontrámos a nossa pessoa preferida um no outro – a probabilidade é ínfima e merece celebração! Estes pensamentos inundaram as nossas mentes e ficou decidido, ali em Copenhaga, que, afinal de contas, queríamos casar. Mais tarde, em Dezembro, veio o pedido – bem intimista e pessoal (ao nosso estilo) e começou a aventura atribulada e divertida de planear um casamento com tema viagens em pouco mais de 6 meses.

 

PLANEANDO O NOSSO CASAMENTO COM TEMA VIAGENS

OS CONVIDADOS

A ideia de uma cerimónia íntima e privada com apenas uma dúzia de pessoas importantes rapidamente desapareceu – ou não fossemos nós latinos de grandes famílias – e no total foram 88 convidados: os nossos indispensáveis e mais uns quantos parentes mais ou menos afastados, como manda a tradição. Agora, olhando para trás, não nos arrependemos de nada. Foi um dia maravilhoso e ambas as famílias pareceram desfrutar ao máximo de um tão aguardado dia de festa.

 

LOCALIZAÇÃO

Escolhemos casar na Quinta Casa Lago dos Cisnes – o local perfeito para uma cerimónia agradável no exterior de modo a podermos desfrutar o calor de Julho. E como típicos portugueses que somos, a boa comida foi também um fator decisivo nesta escolha. Apraz-nos acrescentar que, sendo um casal bem descontraído em todo o processo de planeamento, foi excelente poder contar com o apoio desta equipa de profissionais que nos ajudaram com cada detalhe.

 

DECORAÇÃO

Quisemos um casamento bonito caraterizado pela simplicidade e, como não podia deixar de ser, com o tema mais óbvio: VIAGENS!

Para o nosso casamento com tema viagens quisemos que tudo tivesse um significado especial.

Escolhemos gypsophilas para espalhar pelas mesas e pelo jardim – esta bonita flor é simples e discreta mas simultaneamente delicada e elegante, tal como queríamos que o casamento fosse. As gypsophilas lembram a neve da nossa viagem à Suíça e as rosas são em homenagem à primeira viagem que fizemos juntos: Roma – a rosa que o Bruno me ofereceu na capital italiana está em nossa casa preservada desde 2014.

Os centros de mesa foram feitos por nós. Utilizámos todo o nosso talento em artes manuais (que não é muito) para emoldurar recordações das nossas viagens (bilhetes de avião, de comboio, mapas, pequenos talões) e batizámos cada mesa com o nome de uma cidade já visitada por nós. Foi uma forma muito low-cost de dar um cunho pessoal ao casamento e o resultado foi comovente: não conseguimos recuperar nenhuma das molduras porque todos os convidados quiseram levar esta recordação.

Os convites foram criação da nossa talentosa prima Ana Rita Arcos e são a personificação de tudo aquilo que queríamos: desde as cores, passando pelo belíssimo mapa e todos os detalhes deliciosos – tudo o que ilustra o conceito do nosso casamento com tema viagens.

Por sua vez, as alianças foram transportadas pelo padrinho de casamento no interior de uma caixinha trazida por nós de Istambul. Uma mera caixinha de doces que se tornou parte fundamental deste nosso dia especial e que, por ter sido a primeira viagem que fizemos com amigos (os nossos padrinhos de casamento) representa bem a nossa ligação e a missão que lhes demos.

Adicionalmente, para manter o espírito de viajantes presente neste casamento, pedimos a todos os convidados para nos deixarem uma mensagem, mas ao invés dos livros de dedicatórias dos casamentos tradicionais, utilizámos um livro sobre destinos de sonho e viagens de uma vida. Hoje, ao desfolhar cada página, podemos desfrutar das belas palavras dos nossos amigos e família enquanto contemplamos novos destinos por revelar. E como souvenir decidimos oferecer a cada convidado um marcador de livro em cortiça com imagens da cidade do Porto – a cidade onde nasceu este amor – datado e identificado por nós: um presente muito simples mas sentido.

 

OS NOIVOS

Um casamento com tema viagens não faria sentido sem uns noivos a condizer: o Bruno vestiu um fato azul escuro e usou um laço clássico. Eu usei um vestido de aspeto vintage, rendado de uma suave tonalidade de rosa velho, com gypsophilas no cabelo e um bouquet de flores de tecido feitas pela mãe da nossa madrinha de casamento. É simples e vintage, como havíamos idealizado, e foi extremamente low-cost: o preço total de ambos os conjuntos ronda os 800€, valor que inclui o penteado e a maquilhagem da noiva.

 

AS DAMAS-DE-HONOR E OS HOMENS DE HONRA

Para manter o foco num casamento com tema viagens quisemos os nossos homens de honra com suspensórios e laço, e as nossas damas de honor com gypsophilas no cabelo e vestidos em todos os tons de azul – da cor do céu, da cor do mar, da cor das nossas cúpulas preferidas. O padrinho e a madrinha não foram exceção.

 

A CERIMÓNIA

O nosso casamento com tema viagens teve uma cerimónia de registo civil. Sem grandes formalismos, com muita descontração e até alguns risos e lágrimas à mistura. Queríamos dar um cunho pessoal a este dia e por isso cada um de nós partilhou alguns votos pessoais.

Ao longo de toda esta viagem foram muitas as pessoas que nos questionaram: estão nervosos? Estão ansiosos? Têm conseguido dormir com o nervosismo? As perguntas eram surpreendentes. Parece que casamento e nervosismo são 2 tópicos que andam lado a lado. Mas não tem que ser assim. Do início ao fim, encarámos esta etapa das nossas vidas da mesma forma que encaramos cada viagem: com grande alegria e gratidão, sem focar no que pode correr mal. Planeámos cada detalhe com amor, mas sem grandes perfecionismos, dando espaço para a espontaneidade e apenas com um objetivo: celebrar o nosso amor junto daqueles que mais amamos. O resultado foi surpreendente: um dos dias mais felizes da nossa vida.

Nada disto teria sido possível sem os fantásticos convidados que nos acompanharam neste dia e contribuíram para o encher de amor, diversão e memórias únicas que ficarão para a eternidade. Obrigada a todos.

As fotografias deste artigo foram tiradas pelo nosso talentoso amigo Vasco Castro. Obrigada por teres imortalizado o nosso casamento com tema viagens!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here